Pesquisa do Labomar aborda comércio ilegal de espécies usadas no aquarismo

4 de setembro de 2017
O artigo Illegal trade of aquarium species through the brazilian postal service in Ceará State (Comércio ilegal de espécies de aquário através do serviço postal brasileiro no Estado do Ceará), do pesquisador Lívio Gurjão, com colaboração de Glaura Barros, Daniele Lopes e Daniel Machado, e co-autoria do Prof. Tito Lotufo, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da UFC, foi publicado na revista científica internacional de alto impacto Marine and Freshwater Research.
O trabalho, desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), aborda o comércio de espécies aquáticas no Ceará através do serviço postal de encomendas.
Os pesquisadores identificaram pacotes contendo organismos vivos, incluindo espécies usadas no aquarismo, que estavam sendo transportados de forma ilegal, contrariando a Legislação Postal Brasileira. O estudo baseou-se em 57 volumes confiscados contendo organismos aquáticos, envolvendo apenas o transporte doméstico de espécies pelo Brasil.
Assim, foi possível descobrir as principais origens e destinos das mercadorias e identificar os organismos transportados de maneira irregular: peixes, moluscos, crustáceos, equinodermos (estrelas-do-mar e pepino-do-mar), cnidários (corais e anêmonas) e plantas aquáticas.
Foram encontradas espécies exóticas e algumas que estão incluídas na Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas. Das espécies apreendidas, 18 são nativas do Brasil e somente 12 ocorrem naturalmente no Estado do Ceará.
Segundo o coordenador da Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais, Prof. Marcelo de Oliveira Soares, o estudo teve como objetivo auxiliar as políticas ambientais de conservação através da indicação de práticas para a detecção da atividade ilegal.
“Os resultados da pesquisa provocam preocupações sobre potenciais invasões biológicas e sobre o comércio ilegal da biodiversidade aquática, exigindo mais controle por parte das autoridades brasileiras. A realização de apreensões é uma ação importante e parece mitigar o transporte ilícito de espécies até certo ponto. A pesquisa produzida sugere medidas a serem adotadas para melhorar a atuação do Ibama e dos Correios e aponta para a necessidade de leis mais rígidas para o combate a essa prática”, afirma.
O artigo completo pode ser acessado pela revista Marine and Freshwater Research (www.publish.csiro.au/mf/MF16257).
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais – fone: 85 3366 7005